Quando o modelo desenvolvimentista da ditadura já não conseguia mais reproduzir os interesses econômicos das elites, o país passou pela democratização justamente para garantir o sucesso das políticas neoliberais e para inserir o modelo flexível toyotista³ de produção, assim como privatização e precarização do serviço público, o aumento progressivo da concentração de renda e do consumo desnecessário, e a mercantilização da educação. Dessa forma, uma grande parcela da população continuou relegada à periferia do sistema, tanto geograficamente quanto existencialmente.
A desigualdade social e as políticas adotadas pós-ditadura ajudaram a potencializar a situação endêmica da violência e da violação dos direitos humanos. A pergunta recorrente é o por que da Polícia Militar continuar existindo? Primeiramente, porque a democracia brasileira falhou na implementação de políticas públicas de inclusão na mesma medida em que falhou no combate ao crime. Além disso, a democracia brasileira não soube atacar as raízes do autoritarismo socialmente implantado e manifestado na corporação militar. Apesar da constituição de 1988 garantir direitos negados na ditadura, como o direito à vida, à liberdade e, considerar crime a tortura, a detenção arbitrária e a discriminação, o Estado não conseguiu exercer seu papel nesse processo.
A Polícia Militar está fundamentada como guarda fronteira entre ricos e pobres. Hoje temos uma elite que acredita viver uma guerra contra as classes mais baixas refugiando-se em condomínios-fortaleza, a Bancada da bala no congresso, passeatas pedindo mais repressão, enfoque militar na segurança pública e privatização do sistema carcerário. Segundo o trabalho do professor universitário Marcelo Medeiros, ¼ das elites empresarias acreditam que o controle populacional deve ser a PRINCIPAL iniciativa para redução da desigualdade social. Então deve ser por isso que a polícia do Rio de Janeiro é a que mais mata e que mais morre no mundo.
A Polícia Militar é uma máquina fordista de massacre em massa. Ela reproduz os valores de uma elite autoritária, racista e classista. Não é à toa que ocorra genocídio na periferia, que Amarildo e Eduardo estejam mortos. Desmilitarize já! Pois quem toma banho de ódio exala o aroma da morte.
Notas:
¹: Paternalismo, em sentido lato, é um sistema de relações sociais e trabalhistas, unidos por um conjunto de valores, doutrinas políticas e normas fundadas na valorização positiva da pessoa do patriarca.
²: O patrimonialismo é a característica de um Estado que não possui distinções entre os limites do público e os limites do privado
³: www.confluencias.uff.br/index.php/confluencias/article/download/14/5 - artigo que trata o “novo espiríto” do Capitalismo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário